12 de abril de 2014

Forbidden

Te vejo feito raio, guiado pelo vento, dobrando as ladeiras. Se eu pudesse te dizer que quando você me abraça sinto o sangue correr em mim, desejo que se alastra e deságua num respiro. Fôlego. Seu mistério me atravessa e provoca, dilema posto à minha escolha: flutuar ou mergulhar. Flutuo. Nossa aproximação é perigosa.

6 de junho de 2013

il

she's just the girl who claims that I'm the one - O som do Michael Jackson ecoava pela amplidão da varanda, preenchendo as conversas e os corpos dançantes, num molejo discreto e embriagante. Um ar agraciado pelas formas efêmeras da fumaça dos cigarros e da churrasqueira completava a atmosfera do cair da tarde. A noite chegava, sedutora, dotando os corpos de um desprendimento quase orgânico.
Verão. Zona Sul de São Paulo. Alguns eram íntimos. Outros, conheciam-se ali na hora. 
Não bebera uma gota de álcool, ia dirigir. A Nina e o Caio, a essa altura, corriam ao redor da piscina, sob as estrelas e a lua minguante, cantando alto os clássicos do Caetano; a Lulu, depois de muita cerveja, dançava freneticamente e sorria pra quem passasse por ela. Um spot de luz vermelha iluminava metade do seu rosto, a outra metade sumia na escuridão da noite. Você me escapa. 
Suas pernas me dizem que você é magro. Gente magra é a coisa mais linda. Você é todo lindo.
Ouvi sobre a sua casa, seu trabalho, seus projetos. Se eu pudesse, fotografava seu meio rosto iluminado pelo spot vermelho. Há um quê de inacessível nesse seu Ser, que escorrega das minhas mãos e oculta a outra metade velada. 
Vous êtes un rêve. Ouvrez-vous.


18 de abril de 2013

Exaustão

Faço um esforço imenso, mas cada intento perfaz o caminho que, inevitavelmente, desagua nesse não-lugar, semiárido do afeto. Estou sempre na esfera do não pertencimento, flutuando no que há de mais profundo e afundando no que há de mais raso. Detesto fazer parte desse jogo tirânico. Perder a referência, agora, me é insuportável. 
Esgotei-me.

26 de março de 2013

Março voou e minha mente também. Pra bem longe, destino inacessível. Lá não coube inspiração pra escrever, onde meia dúzia de lembranças paralisaram-me por inteiro. Não, por inteiro não. Elas tiveram a compaixão de permitir o contínuo abrir e fechar dos olhos, imersos na liquidez de um sal suave e abundante, inundando o que em mim já era tido como estiagem. Em vez de fecharem, as águas de março abriram uma estação inteira no meu coração.

5 de fevereiro de 2013

Cápsulas

Nossa, você devia fazer Letras!

- Rs, sou das Artes.

Eu ainda não sabia que seu coração já batia mais forte por mim, ali, no centro da cidade.
Seu olhar se curvou, ao esboçar um sorriso dúbio. Quando quer, você tem o dom de dissimular toda a sua sensualidade. Convenci-me de que aquilo era pura simpatia, de alguém hábil e ligeiro na comunicação.



Pensarei em você. Você é especial demais pra não ser lembrada.

Ler essas duas frases foi como envolver meu ego em veludo. Sim, seu coração batia mais forte por mim e você estava declarando isso.
No Ipod: "Chegar em mim", da Céu, à exaustão.



- Ui, desculpe. Caiu caldinho de feijão no seu casaco?

Imagine.
Não acredito!! A gente tropeça em cada paraíso!

Foi assim, de sopetão, que nos esbarramos naquela fria noite de junho. O inverno deixa você mais elegante. Abraçamo-nos forte. Uma saudade que já começava a ultrapassar o limite da amizade e adentrar o tortuoso terreno da paixão.



Você é eterna demais pra caber em uma hora.

Talvez você seja um PhD na arte de seduzir com boa prosa e requinte, porque, quando olhou nos meus olhos e proclamou essas palavras - com a inconfundível voz macia - tive vontade de te dar as mãos e não soltar nunca mais.
Tatuou meus pensamentos.



Você parece uma flor. Hum... um lírio. Você é um lírio.

Aí já havia passado três meses, alguns beijos e muitos segredos. No sofá do nosso café, entre um brigadeiro e um chá, seus olhos passearam pelo meu vestido florido e me convidaram ao aconchego do teu peito.
Era um bálsamo terminar a semana ao seu lado.



Quem se cansa não está aberto ao diálogo.

Poderia te responder que quem não cuida não gosta.
Que quem trapaceia não é despojado.




E agora, nessa tarde cinza, de um mês que devia ser solar, pauso minhas obrigações para tomar o mesmo chá e comer aquele brigadeiro todo diferente, que tantas vezes degustamos. Sinto-me estrangeira nesse café... Uma parte de mim ficou naquele sofá - agora ocupado por uma trupe de adolescentes -, naquelas conversas e carinhos, que me faziam esquecer que a nossa relação tinha prazo de validade.
O prazo venceu.
Você se foi.
Restaram essas frases-cápsulas, talvez já por você esquecidas, pra remediar a minha saudade.




2 de fevereiro de 2013

Abre alas

02 de fevereiro, dia da Rainha do Mar.
Odó Iyá!

Abro este blog reverenciando a minha mãe Iemanjá. Que sua força e proteção se derramem sobre o meu mar de inspiração. Que, nele, não faltem as palavras, o sal e o amor.

OCEAMO

Paratodos.

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